quinta-feira, 4 de agosto de 2016

JOGOS OLÍMPICOS, PRÁTICA ESPORTIVA E EXAMES PREVENTIVOS



Falta pouco para o início das Olimpíadas do Rio de Janeiro 2016. Grandes eventos esportivos sempre suscitaram inúmeras discussões sobre seus possíveis legados. Dada a grande influência da mídia sobre seus cidadãos, sobretudo no que tange a prática de atividade física em períodos de realização de grandes eventos esportivos, esse desejo súbito de “atleta Olímpico” merece atenção. “
Diferentes tipos de exercícios já fazem parte do arsenal terapêutico para muitos pacientes com doença cardiovascular, em especial portadores de arritmias cardíacas. Com as Olimpíadas, e o crescente número de pessoas dispostas a iniciar algum esporte, os exames preventivos são recomendáveis, e imprescindíveis em alguns casos”, ressalta a Presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), Denise Tessariol Hachul.
De modo geral, crianças e adolescentes que realizam somente atividades recreacionais (como educação física na escola) e são assintomáticos, não necessitam de nenhuma avaliação. Caso elas se engajem em treinamentos em clubes e federações, as recomendações são as mesmas exigidas para atleta profissionais: avaliação da história clínica pessoal e familiar detalhada, exame físico minucioso, eletrocardiograma, ou seja, screening pré-participação. Outros exames podem ser necessários, conforme dados obtidos na primeira avaliação.

Para adultos, além da avaliação habitual, o teste ergométrico é necessário para homens com idade superior a 45 anos e mulheres acima de 55 anos.
A morte súbita é mais frequente em pessoas acima dos 35 anos, com risco mais elevado entre os sedentários que passaram a fazer atividade física.

Para todos, o ideal é praticar exercícios regularmente, várias vezes por semana, mesmo que em menor tempo. No entanto, atletas amadores ou ocasionais, sedentários muitas vezes, têm recomendações específicas. Caso dos “atletas” esporádicos, como os que aderem ao futebol no fim de semana. Segundo a cardiologista Martina Pinheiro, membro da SOBRAC, este tipo de atividade aumenta em 2,7 vezes o risco de problemas cardíacos, por provocar sobrecarga no coração que não está habituado a esse tipo de exercício.

Para quem pratica alguma atividade física diária deve realizar exames preventivos anualmente. Quando ocorrem sintomas sugestivos de doenças cardiovasculares (falta de ar, dor ou desconforto no peito, tontura ou desmaios, palpitações e qualquer sintoma relacionado ao esforço), a melhor atitude é procurar um médico com urgência.

Uma atenção especial é para os portadores de arritmia cardíaca diagnosticada, que precisam realizar check-ups conforme determinação do cardiologista e/ou arritmologista, especialista em arritmias cardíacas. Há diversos tipos de arritmias e cada qual tem seu prognóstico e tratamento. A avaliação vai depender se a arritmia está bem controlada ou não. Nestes casos, os exames necessários são o eletrocardiograma, o Holter de 24 horas, o Teste Ergométrico e o Loop Recorder, cuja indicação dependerá exclusivamente de avaliação médica”, explica Pinheiro.

Para portadores de outras doenças crônicas, o tipo de treinamento deve ser observado dependendo também de cada caso. Em geral, doenças crônicas leves e bem controladas não têm contraindicação para o esporte. Mas caso a atividade seja de alta intensidade, será imprescindível um exame médico detalhado.

Mulheres
Um estudo recente da Universidade Colúmbia Britânica sugeriu que a atividade física intensa reduz risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC/derrame) em homens - com risco 63% menor de sofrer um AVC. Apesar deste estudo não demonstrar redução do risco de AVC isquêmico nas mulheres, elas se beneficiam, e muito, da prática de atividade física. No sexo feminino, o exercício físico melhora o controle sobre os fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes, dislipidemia e obesidade, e reduz o risco de doenças isquêmicas do coração.

“As mulheres apresentam aumento do risco cardiovascular após menopausa, com indicação para o teste ergométrico antes da prática de qualquer atividade física a partir dos 55 anos. Também é preciso uma estratificação mais cuidadosa a partir da menopausa, independentemente da idade”, relata a cardiologista Martina Pinheiro.

Independente das Olimpíadas, é importante vencer a barreira da falta de conscientização sobre as doenças cardiovasculares e apontar os caminhos para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento. No Brasil, diversas ações educativas buscam conscientizar a população leiga para os cuidados com as doenças cardíacas, como a campanha Coração na Batida Certa, realizada anualmente pela SOBRAC, no dia 12 de novembro.

Recomendações da SOBRAC para atividade física:

- É fato que toda atividade física regular de baixa intensidade é protetora para o coração, inclusive para algumas arritmias. De modo geral, a mais indicada é aquela que pode ser praticada com regularidade, de 3 a 5 vezes por semana.

- Exercícios de alta intensidade podem aumentar a ocorrência de arritmias cardíacas e morte súbita. Sobretudo quando não são realizados exames preventivos.

- Em todos os casos é imprescindível procurar um cardiologista antes de iniciar qualquer atividade esportiva, seja ela moderada ou de alta intensidade.

- Mesmo portadores de dispositivos implantáveis podem prosseguir suas rotinas, atividades físicas e melhorar cada vez mais a sua qualidade de vida. Mas sempre tendo a recomendação de um cardiologista.

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